14.6.15

Música para os teus ouvidos

Passaram ontem, dia 13 de Junho, 30 anos sobre o tratado de Schengen, aquele que nos dá tanto jeito para evitar ter de recorrer ao passaporte ao cruzarmos inúmeras fronteiras dentro da Europa.

Hoje, França, Alemanha e Áustria decidem controlar por motivos desumanos as fronteiras com a Itália.

Ah, e tal, estamos a caminhar para um mundo melhor, diziam. Eles diziam e eu acreditava, como cantava o Lennon. Mas não era o único. Talvez sonhadores fossemos todos durante estes 30 anos.



Já há muito tempo que venho (e todos nós, obviamente) a assistir à perda de direitos sociais no velho continente. Aquele que foi o berço da democracia, da liberdade e da fraternidade. Aquele que, supostamente é o epicentro da igualdade em todos os aspectos. Sim, em parte, somente em mínima parte poderei concordar com isso. Vivo num país que se declara democrático (e por isso não falho uma eleição), livre (e por isso não falho quando devo levantar a minha voz) e onde, a bem ou a mal, há igualdade entre os cidadãos.

Isto não é a Europa que eu conheço, muito menos a que me foi dada a conhecer durante a minha vida académica.



Se querem que eu seja Europeu, deixai-me viver na Europa que eu escolho para viver. Posso ser um sonhador mas, como diria o Walt Disney, "Se podes sonhar, podes fazer acontecer".

18.5.15

O título da verdade

Não aceito que exista uma verdade absoluta para além dos resultados matemáticos. Nunca a verdade poderá ser absoluta e, muito menos, concreta. 

Vejamos num conflito onde cada uma das partes, sob procura inerente de justiça à sua causa, defenderá sempre que a sua parte, sim, se encontra plena da verdade.
O mesmo, por certo, se passará pela outra parte, colocando o ouvinte sobre a inexistência da verdade ou a dupla existência da mesma. Cabe, desta forma, ao ouvinte das várias versões decidir qual a verdadeira verdade mas, sob esse efeito, a decisão já cairá sobre a moralidade do avaliador e a possível avaliação que terá sobre o sujeito ditador de uma das verdades e, se a verdade deverá estar sempre acima da moral – quiçá até acima da justiça – como se poderá vez alguma elucidar sobre qual a forma mais correcta de avaliar tais factos?

Repensem, agora, colocando vários acontecimentos que se terão assistido pelo vosso dia-a-dia, pessoalmente ou até mesmo em comunidade. 

15.5.15

Haccordus

Creio nunca ter referido neste espaço de que sou totalmente contra o afamado [bem ou mal] Acordo Ortográfico de 90. Pois que o saibam, agora e, pelos vistos, tardiamente.

Esta querela espalha-se desde 1988 – ainda eu mal sabia escrever – porém, somente nos últimos 6 anos se decidiu dar importância a este assunto da limpeza quase holocáustica das palavras portuguesas. 

A eliminação das chamadas “consoantes mudas” é ainda a parte mais fácil de se compreender, ao analisar e aceitar que esta é a ortografia da fonética actual [dizem!]. Não consigo jamais entender qual a razão de eliminar hífens na cor-de-laranja mas ser obrigado a usá-los se houver mais luz branca e escrever cor-de-rosa! Ou, pior ainda, tornar a mini-saia aparentemente mais comprida ao acrescentar um S no lugar do hífen. 
Bem, isto é apenas o falar de praticidades, sem querer enveredar pela etimologia ou pela fonética. Isto para referir que ao ser-se imposto um acordo com referência legal, este deverá ser, antes de mais, um acordo entre todos os intervenientes [os tais 250 milhões de luso-falantes no mundo] e a suposta entidade que criaria as alterações, situação este que, mais que sabido, é humanamente impossível e, caso o não fosse, a fase de aceitação seria tão ou mais inconcebível quanto a que assistimos actualmente. 

Porém, acredito que num futuro – talvez uns 20 a 50 anos – possamos todos estar a usar este so called acordo, mais que não seja pela habituação na leitura das manchetes, nos avisos camarários e doutras fontes de informação e educação, já que nesses organismos o AO90 é obrigatório. Veja-se, como exemplo, as mesmas rejeições e reacções à alteração do acordo anterior onde escrever pharmacia se previa ser em nada etimológico. Hoje, passados bem mais de 50 já ninguém o escreve. 

Ainda assim, mesmo colocando a hipótese de que sucumbo a esta farsa num futuro que espero pouco de próximo, levantarei sempre a bandeira pela luta  contra esta incongruência.

14.5.15

A expressão da liberdade

O clausus modus em que me fui obrigado a estar, desde há uma semana a esta parte, tem-me colocado uma pertinente questão à qual, por felizes motivos, nunca me havia colocado a mim mesmo por ordem de pensativa existência. 

Quem ao meu lado se tem acamado, nas horas das visitas, exprime a sua completa opinião, sobre o que ela vale, seja a quem for que o oiça e esteja ou não disposto a ouvir, o que, na minha opinião e ideia correcta das coisas, aprovo e apoio. Estranha-me, no entanto, que as visitas se sintam tão constrangidas com a exposição das ideias e opinião do relator. 
Imagina que o senhor do lado é desse partido!?” – foi esta mesma  frase que me alertou para que escrevesse este texto. Repenso; que problema seria se a minha opinião diferisse tanto quanto à do relator? Que motivos teria eu para ripostar ou, quem sabe, violentar contra ele, fosse mesmo só por palavreado? 

Hoje em dia, verdade seja dita, e por graças a vivermos em liberdade de expressão, vivemos, no entanto, numa sociedade onde pouco se pensa antes de emitir a opinião que temos sobre as coisas. Maioria, é certo, que pouca ou nenhuma importância revelam na vida comunitária, porque são, dessa mesma maioria, coisas nossas, por vezes até pessoais e a isso, quem ouve, pouco carga de importância lhe dá. 
No que se refere a opiniões de âmbitos mais sociais/comunitárias devíamos sempre pensar antes de as emitir tão publicamente ou, pelo menos, não sendo tão público, o facto de se estar entre desconhecidos. Não que seja problemático o facto de emitir opiniões, mas sim pelo facto de se poder mudar em escasso limite de tempo. No que respeita a opiniões, hoje o que pensamos pode mudar em poucos minutos, até. O que não se altera com tanta rapidez são as convicções e até mesmo essas estão passíveis de alterar-se!

Voltando à estranha sensação de que me assolei quando notei o medo do visitante, que caminho estaremos nós, em termos de sociedade, a construir sobre a liberdade de expressão? Este “medo” de «o senhor ser desse partido» será um possível regresso ao passado ditatorial? Na verdade, todos os dias nos vamos quase que ambientando a isso. A censura é posta à prova e em causa ao mesmo tempo. Tenhamos cuidado!

Na minha opinião, o correcto será sempre que a opinião for dada, e que sempre deve existir, que antes de a proferir para onde quer que se destine, que está tenha sido pensada e, principalmente, pesadas as consequências não nocivas na opinião dos outros. 

P.S. - Artigo escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 45;
P.S.2 - Peço desculpa por qualquer má formatação de texto, mas via telemóvel não consigo melhor! 


7.5.15

Pedido de ajuda

"Help, I need somebody" cantavam os Beatles, nos idos anos 70 mas, será que valeu a pena?
Os pedidos de ajuda têm, cada vez mais, a ser mais raros que o próprio petróleo. Afinal, o que faz com que cada vez menos se peça ajuda?
Depois de se ter passado a febre dos flagelados livros de auto-ajuda, onde é que as pessoas pedem ajuda, seja para o que for? Ajuda para carregar uns sacos de compras, ou para ajudar a velhinha a passar a estrada, ou até mesmo para suportar o stress dos dia-a-dia?

Nos dias que correm, vive-se cada vez mais aquilo a que tanto tenho apelidado de umbiguismo. O que se passa no convento, no convento fica e ai de quem tente entrar nos claustros da nossa intimidade! Embora tudo se partilhe nas redes sociais, as vidas que transmitimos não passam de autênticas quimeras de ouro, quando no nosso íntimo ser, nem de latão são feitas!

Teremos perdido a confiança nos outros por nossa própria vontade, ou será que os outros não fazem, na realidade, por merecer a nossa confiança quando precisamos de um ombro amigo, ou mais que não seja de dois ouvido prontos a escutar?

Para onde caminhamos?

25.4.15

Liberdade


Craveiro

Permitam-me que cresça em cada canto
Numa esquina qualquer da cidade
Um punhado de cravos em manto
Como se se deitasse, ali, a liberdade.

Não teçam os cravos entre eles.
Não deixem que se coliguem forçosamente.
Se à liberdade são dados aqueles,
Juntem antes as rosas de vermelho quente.

Permitam-me que lance um cravo ainda
Ao rio que cruza as terras que passa,
E que leve a outras margens onde o mar finda
A liberdade onde a mesma não se abraça.

Pudesse eu ter de cravos um mundo inteiro
E faria, sem dúvida, um mundo perfeito.
Enquanto não tiver terra para o meu craveiro,
Deixo-o, pelo menos, vingar-se no meu peito!

Bruno Torrão

21.4.15

Redes (as)sociais

É quase que inevitável! Hoje elas estão por todo o lado e chegam a toda (ou quase toda) a gente. Desde o facebook ao g+, instagram, foursquare, badoo, linkedin, entre outras centenas, quiçá, menos representativas ou mais focalizadas a aspectos profissionais, culturais ou sociais, muito mais relativas à sexualidade ou à etnologia.

O engraçado é que, dia após dia, toda a gente se queixa dessas mesmas redes sociais e há, até, estudos que são feitos a comprovar que alteram o nosso cérebro, (http://www.dinheirovivo.pt/videos/default.aspx?content_id=4523448&section=buzz). Porém, esta notícia, foi-me dada a conhecer através duma rede social, a mesma que tem vindo a espalhar os anúncios da Sagres e da Super Bock, onde somos incitados a deixar as redes em casa e socializar ao vivo.

Isto faz-me lembrar uma música dos Da Weasel nos anos 90, Todagente, onde se retrata o facto de toda a gente criticar tudo, porém a acção fica-se pela "mesa do café", embora nos dias que hoje correm, estas acções estatificam-se nos post do facebook.


19.4.15

Poemário

Há uns 4 ou 5 anos (não me recordo bem) estive em Madrid na altura do 21 de Março, data da celebração do dia mundial da Poesia, e achei fenomenal a forma como os madrilenos a festejaram. No vasto e concorrido metro, do nada e no meio de toda aquela gente, alguém lia um poema. Chamavam-lhe, ao evento, "Nin un día sin poesía", e durante uma semana ia acontecendo isto! A poesia, aleatoriamente, dita a todos durante uma semana. E tanto que fiquei a sonhar com algo semelhante a fazer-se aqui, em Portugal!

Esta página que descobri há escassos dias tem, pelo pouco que ainda conheço, esse intuito, de dar poesia a cada dia. E qual o meu espanto quando vejo que o poema de hoje foi escrito por mim! Não, não é a primeira vez que um poema meu é publicado no facebook mas, talvez por haver esta ligação entre a génese do Poemário (a tal página) e a ideia que vi acontecer em Madrid, me dê esta alegria!

O poema escolhido foi o "Porta de entrada", publicado no Viajantes e que o sei muito ao gosto de muita gente!

Sigam o link e fiquem a conhecer o poema (ou a relembrar) e a conhecer o Poemário!
https://www.facebook.com/pages/Poem%C3%A1rio/941065615923479?fref=nf

17.4.15

Poesia

Já muitos conhecem, nem que seja de nome, o Povo Lisboa, um estabelecimento que é café/bar/restaurante e que, de tempos a tempos, vai organizando tertúlias de poesia, concertos de fado, espectáculos de índoles diversas.

Segunda-feira, dia 20, devido à aproximação das comemorações do 25 de Abril, será uma noite dedicada à Revolução dos Cravos. Apareçam por lá a partir das 22h00 e levem os vossos textos revolucionários!

Atenção Porto!

Hoje é sexta-feira, dia de Happy Hour na livraria POETRIA, na Rua das Oliveiras, no Porto!

Entre as 18h e as 21h, poderão encontrar nesta fantástica loja, livros soberbos com 40% de desconto!

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